As regras para acertar no preparo da ave obrigatória do Natal, desde o tempero até o momento de retirá-la do forno requer muita dedicação e amor
A questão é que o peru tem, de fato, seus segredos. É muito mais difícil de ser preparado que os demais assados natalinos e requer cuidados especiais, desde o momento de temperá-lo até a hora de retirá-lo do forno. Para começar, tem dois tipos de carne, a branca do peito e a escura nas demais partes, o que significa dois tempos diferentes de cozimento, além de sabores distintos (o frango também, porém o fato de ser uma ave menor facilita os trabalhos). O tamanho do peru se transforma em desafio: quanto maior, mais demora no forno e mais tempero exige. Porém, como sua carne é muito suave, deve-se ter cuidado para não exagerar, senão o gosto se perde nos condimentos.
Outro ponto crucial: o recheio. Antes de mais nada, é preciso saber que ele não pode ser feito de véspera. Ou melhor, pode até ser preparado com antecedência, mas só deve ser colocado no peru momentos antes de ir para o forno. Ele altera completamente o tempo de cozimento. Qualquer carne recheada demora para assar. E, quanto mais ficar no calor, mais seco tende a se tornar. Uma boa saída é colocar o recheio (geralmente uma farofa rica) depois que a ave já estiver pronta, momentos antes de levá-la à mesa.
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O peru é, sem dúvida nenhuma, o prato mais típico das ceias brasileiras de final de ano, a ponto de ter sido imortalizado em um conto de Mário de Andrade intitulado: "O Peru de Natal". Como essa tradição chegou até nós é um mistério, visto que o nome da ave, no nosso idioma, é igual ao do nosso vizinho sul-americano. Em inglês, é turkey, que quer dizer importado da Turquia.
Sabe-se porém que ele era uma ave selvagem no México. A parte mais saboreada é a carne do peito: leve, branca, tenra, com toques adocicados. As melhores escolhas para harmonizar com este prato podem ser um vinho branco encorpado ou um tinto mais leve, com toques adocicados e frutados.
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Vinhos para acompanhar:
Pinot Noir norte americano
Principalmente do Oregon pode ser uma boa pedida, pois trata-se de um vinho leve e muito equilibrado que não iria brigar com a textura da carne do peru.
Cabernet Sauvignon
Desde que não seja tão encorpado e tânico, pode se dar bem também com a carne escura da coxa.
Merlot
Com sua doçura, frutas vermelhas e com pouco tanino, é o ideal para combinar com a doçura da carne da grande ave e com os pratos preparado com componentes assim chamados de californianos como pêssegos, ameixa etc.
Shiraz
Espumante tinto australiano, encorpado, escuro, aromático e com muita fruta, servido frio, pode ser uma combinação exótica para o peru.
Chardonnay
Encorpado, com um delicado toque de madeira (vale a pena experimentar os nacionais), pode ser uma surpresa pois a similaridade de cores (carne branca/vinho branco) estará totalmente de acordo.
*Presidente da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho
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